terça-feira, 6 de maio de 2014

A Saga de Gustavsson - Capítulo III

O sol ainda ardia em seu começo do dia do lado de fora do Royal, mas abalado por toda a confusão que rondava sua pessoa sem ele ter a menor ideia do que acontecia fez Gustavsson emborcar logo um chopp. A tentativa de afogar o desespero sem causa fracassou. O que temer se sabia que nada tinha feito?

Xing Lui, o balconista de longa data do Royal, sentindo a ansiedade do cliente não fez as tradicionais brincadeiras para irritá-lo, assim como não ousou questionar o que o deixava com aquela cara de cachorro que fez coco no tapete depois de comer o chinelo do dono.

- Xing, abre o olho, meu filho! Traz mais um chopp do jeito que eu gosto que tô no veneno hoje.

Estimulado pelas palavras do antigo cliente, Xing Liu, retrucou:

- Por que esse nervosismo todo? Tá com a calcinha apertada a menina, né?
- Xing...por que não vai beijar seu pai na bunda? Um beijo em cada bochecha, pode?
- Bem nervoso o menino Guta, né? Xing pode ajudar?

Antes de desferir uns palavrões sobre qual parte de Xing estaria nervosa, Gustavsson pensou rápido e disparou:

- Ô Xing...você não achou meu crachá caído aqui ontem de noite não? Eu perdi ele. No carro não está, talvez esteja em casa, mas na minha pasta, onde sempre fica ele não está.
- Se tivesse ficado funcionário de Xing tinha devolvido. Funcionário tudo honesto muito.
- Beleza, Xing...vou esperar o Ferdinando aqui.

Passados alguns minutos e alguns chopps, Ferdinando entra esbaforido pela porta.

- Gustavsson, meu filho!!! Tenho certeza que você não fez nada errado, mas vamos ter que sumir com você!
- Do que você está falando Ferdinando? Eu não fiz nada para ter que sumir!!!

Percebendo que Xing havia parado seus afazeres e olhava com ar diferente para a conversa dos dois, Ferdinando perguntou:

- Xing...tem vasilha para lavar não, Coreano dos infernos?
- Para começar Xing é Tailandês, Coreano deve ser sua mãe aquela quenga. Para continuar, Xing sabe quem pode sumir rapidinho com menino Gustavsson!!!

Movidos pela curiosidade, aquela que matou o gato, ambos simultaneamente perguntaram ao asiático: - QUEM?????

Xing esticou um sorriso refrescante naquela cara cheia de bochecha e disparou:


- EU MESMO, NÉ?

sábado, 19 de abril de 2014

A Saga de Gustavsson - Capítulo II

Depois de barulhos de relógios sortidos e rufares de tambores temperados com notas de guitarra aqui e ali, a voz de David Gilmour “Ticking away, the moments that make up a dull day” despertava Gustavsson, emitida de seu aparelho de celular, totalmente modernoso demais, gente. Após uma espreguiçada tão discreta quanto a de um elefante na savana africana, engoliu um café rápido para ir ao trabalho. A rotina sistemática não podia ser de forma alguma abalada. Pegou sua pasta e zarpou.

O transito apocalíptico da cidade tinha um sabor de asfalto doce que tornava o trajeto para o trabalho ainda mais nauseabundo. Enquanto ia dirigindo na velocidade de uma tartaruga grávida e sem uma pata, devido ao tráfego tão agarrado quanto um carrapato no saco de um boi, Gustavsson ia fazendo sua programação diária em sua detalhista mente. “Tenho que entregar o projeto confidencial B finalizado, já que aqueles putos do Augusto e Ferdinando mais conversam do que trabalham”.

Chegando próximo ao trabalho já foi abrindo a pasta para pegar o crachá que lhe garantia acesso à IMMBS, a empresa de processamento de dados onde trabalhava. Apesar de compreender os cuidados com a segurança de uma empresa que trabalha com tecnologias secretas para o governo, convenhamos...um rosto visto todos os dias entrando e saindo do prédio, ter que usar o crachá todo dia para conseguir passar pelos sistemas de segurança? No local onde ele mais gostava de ir, o Royal, ele entrava livremente, no lugar onde ele era obrigado a ir para garantir sua subsistência ele tinha dificuldades para entrar. Olha a ironia da vida aí, né gente?

“Cadê essa porcaria desse crachá? Só falta aqueles putos o terem pego para me fazer passar aperto, esses bastardos filhos de mula”. Nem bem passado esse pensamento pela mente de Gustavsson havia, e a última esquina antes da empresa se dobrou perante seu modesto carro.

Uma confusão caótica de luzes piscando, sons de sirenes e de pessoas caminhando para lá e para cá. Policiais na porta do prédio e alguns entrando e saindo do gelado gigante cinza que crescia no campo de visão. Quando Gustavsson passou a mão no celular para ligar para a empresa ele já estava tocando! Pelo identificador de chamada não foi visto o número brilhar no visor. Só faltava ser algum vendedor chato. Ia manda ele tomar em lugares que a biologia nem sabia existir.

 - Alô, Gustavsson falando.

 - Gustavsson! É o Ferdinando.

 - Ferdinando, seu filho de puta com vendedor de Barsa...vocês pegaram meu crONDE VOCÊ ESTÁ, GUSTAVSSON? Interrompeu Ferdinando deixando tenso seu interlocutor.

 - Estou chegando na empresa, mas tá uma zona aí!

 - Dê meia volta agora. Estou ligando meio que escondido para não me comprometer, mas sua situação não está nada boa. Corra para o Royal e fique lá. Assim que der te encontro lá. Meu Deus...o que você fez, meu amigo???

Antes que Gustavsson pudesse responder a ligação foi abruptamente desligada. Atônito, beirando o desespero, retornou o carro com a sensação vívida que tinha sido visto e ia ser seguido. Uma sensação claustrofóbica de pânico o fez acelerar para longe daquele sentimento.


Sem saber o que fazer, fez a única coisa que lhe passou na cabeça como sendo segura, foi para o Royal com a pergunta de Ferdinando cravada em sua cabeça “O que você fez, meu amigo!!” O QUE EU FIZ?

domingo, 30 de março de 2014

A Saga de Gustavsson - Primeiro Capítulo

"Melhor momento do dia." Esse pensamento invadia a mente de Gustavsson enquanto ele bebericava seu chopp. Dentro de sua rotina meticulosa, a saída do trabalho sempre era e é sucedida por uma passagem no bar de sempre, onde gosta de sentar-se sempre no mesmo lugar. A cadeira perto do balcão, ao lado da máquina de chopp era o paraíso para Gustavsson. Realmente o rapaz que com 29 anos beirava a chegada dos 30, já tinha uma essência idosa. Era tão sistemático e detalhista que enxugava o bilau com cotonete após o banho. O chopp sempre tinha que ser servido com apenas um dedo de colarinho, altura de mão horizontalizada, . Xing Lui, o balconista , sabia do gosto do cliente, e quando entediado divertia-se servido um colarinho aquém das rígidas especificações do bebericão, apenas para sentir seu tímido desconforto em alertar sobre a falha.

A iluminação fraca do ambiente proporcionava ao rapaz um pouco da invisibilidade social de que tanto gostava. Parece que todos naquele lugar, o Royal, buscavam pela mesma coisa. Ao som de sucessos pop internacional dos anos 80, a interação social era mínima. Pouco se conversava. O Royal realmente era um lugar cinzento, porém, tranquilizador.

Hoje Gustavsson tinha companhia daquele tipo de amigos em que o silêncio não causa incômodo. Ferdinando trabalhava com Gustavsson desde que ambos tinham 20 anos, na mesma empresa em que eles, por brincadeira, um dia diziam que iriam presidir. Eram bons amigos e frequentavam a casa um do outro. Augusto não era tão chegado assim, porém, a companhia do senhor mais velho de 41 anos estava longe de ser desagradável. Augusto era recém chegado na firma e realmente era um boa praça. 

Ali, no Royal, passaram umas boas duas horas bebericando e conversando sobre amenidades, colegas de trabalho e batalhas esportivas. Mulheres também rondavam a resenha, e algumas moçoilas presentes no bar realmente eram umas tetéias, o que chamava a atenção de Gustavsson, o único solteiro entre os três. O Royal, mais cheio do que de costume, os viu sair satisfeitos com aquela leveza de espírito que o álcool, com moderação, garante. Despediram-se ao som de Down Under, do Men At Work. Entre sorrisos verdadeiros e quentes tapas nas costas, cada um seguiu seu caminho, na noite azul escura.

Gustavsson seguiu para sua casa. Esperava-o Fintroll, seu pequeno Bulldog, que o esperava abrir a porta para presenteá-lo com um maremoto de carinhosa baba. Com algo nos lábios similar a um sorriso, nosso herói rumava para o lar, sem imaginar que aquela noite no Royal mudaria toda sua vida. Era sem dúvida, o começo do resto de seus dias.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Ograldina pela China!

Eis que mais um mistério da culinária é desvendado pelo CHICO (Centro de História Investigativa da Comunidade de Ogroland), um órgão do governo de Ogroland que é mais incansável que sogra para implicar com Nora.

Não sei se vocês, que tem a cabeça mais oca que estômago de modelo, estão lembrados de Ograldina, a cozinheira do Rei Arthur, mas nossa famosa quituteira também andou passeando pela terra do pessoal dos olhinhos puxados, a China!!!

Por lá Ograldina para se sustentar investiu todas as suas economias (econolates e economuges também) para abrir uma birosca alimentar, vulgo restaurante. Ograldina contratou alguns assistentes de cozinha, mas por não diferenciar a fuça deles os chamava todos, carinhosamente, de Xing Ling. E o restaurante de Ograldina, o Solicitarim (Ograldina achava Mandarim muito imperativo) foi se estabelecendo com razoável fama local. 

Os Xing Ling de Ograldina a ajudavam bastante e não admitiam desperdício.  Quando sobravam ingredientes como repolho, cebola, cenoura e carnes, eles iam logo correndo para sua musa culinária perguntar:

- Ogladina...a comida que você faz os clientes vão comer toda, né? mas e a ki soba?

Ogladina, digo, Ograldina, vislumbrando uma nova oportunidade gastronômica ordenou aos Xing Ling:

- As que os clientes comerem, tão comidas, e a que soba cês misturam no macarrão com aquele molho lazarento seus!

E assim, em homenagem ao questionamento alimentar dos Xing Ling, Ograldina batizou o novo prato de Yakisoba, e qualquer versão diferente dos fatos é mentira, não acreditem, é construção da mídia.


sábado, 2 de novembro de 2013

Paixão por Livros

Era uma vez, em tempos em que o tempo esqueceu, um ogro muito sábio e culto, que tinha nos livros os seus melhores amigos.

Ogronardo DaTrinti vivia modestamente em uma casa em que os livros ocupavam todos os cômodos de sua humilde residência para a gente fazer amor...opa...desculpem, me confundi aqui. Vamos começar de novo...ele tinha livros espalhados por toda sua humilde residência, porém, sem um artefato adequado para acondicioná-los, ficavam espalhados por mesas, cadeiras e até mesmo no chão.

Eis que em uma bela tarde de inverno em Ogrolândia, Ogronardo recebeu a visita de um primo distante do interior, conhecido por ser bastante hábil com madeira. O primo, Marcenogro, ao ver aquela verdadeira baderna literária, exclamou perplllllllllllllllllexo, com seu carregado sotaque interiorano:

"E estante de livro no chão? Vô resolvê isso procê, primo!"

Assim nasceu a estante...


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

El Gladiador de Sapatilhas!

Quem já ouviu a histórica passagem dos anais (ui) romanos da rebelião dos escravos que lutaram por sua liberdade, lá pelos idos de 70 ac(dc)? Certamente, meus amigos iludidos, lhes fora subtraída da narrativa a parte que diz que na verdade, toda essa epopeia libertária teve origem em um casal ogro de dançarinos: Gladiogro e Ana Maria Botaogro.

Expliquemos, mentes obtusas. Gladiogro e Ana Maria Botaogro eram dois dançarinos oriundos da trácia. Era um casal muito bailante que gozava(ui) de enorme reputação na área dos dois para lá dois para cá. A fama se espalhou para além das margens do Rubicão e adentrou pela elite cultural da terra de Remo e Rômulo, e então foram contratados para uma temporada com dançarinos romanos.

Eis que ao conhecer a equipe de bailarinas, Gladiogro sentiu seu coração e suas castanholas palpitarem com mais pressão por uma bela romana. Encantado com os dotes artísticos e físicos da patrícia, nosso herói, ancestral do Sidney Magal, resolveu trocar de par. E vocês conhecendo a natureza feminina acham que Ana Maria Botaogro aceitou pacificamente essa troca? Ora...não sejam tolos! Ana Maria Botaogro ficou possuída pela ira e passou cinco minutos girando de raiva sem por um só pé no chão.

E os ensaios começaram em clima de guerra!!! Botaogro lançava rachadas gélidas pelos olhos cada vez que cruzava com seu amado, que resolvera juntar as sapatilhas com a ninfeta soprada por Vênus. Quando tudo parecia tão tranquilo, eis que Gladiogro foi acertado por uma sapatada na sua cachola. O bailarino se levanta trôpego, vesgo e injuriado e brada pela salão: "QUEM ME TACO ESSA SAPATILHA?"

Apavorados com a fúria ogra, todos os bailarinos rapidamente deduraram:

- Seu EX-PAR TACO! Seu EX-PAR TACO!

Revoltado com a falta de liberdade dançante, e se sentindo como uma escravo de Botaogro, Gladiogro liderou uma revolução de escravos adotando o simbólico nome de ESPARTACO.

Qualquer história diferente é mentira...refutem-as.


terça-feira, 30 de julho de 2013

O Retorno!

Eis que este Blog que andou mais abandonado que brinquedo velho por criança no Natal está de volta com força máxima, com postagens no mínimo semanais.

Para esquentar as turbinas, vamos resumir algumas pérolas embebidas em cultura ogra, algumas na tentativa de arrancar sorrisos, outras não. 93 segundos de sabedoria.

No pasto estava muito frio, então a vaca gritou pro boi:
"Mas que friii boi!"

Pergunta: Qual é a carne feita com os bois que são criados em total liberdade?
Resposta: Free boi!



Até a mais profunda ferida cicatriza. A cicatriz fica por ali, as vezes esquecida, mas está sempre lá para quando notada, nos relembre a dor sentida.

"Ainda vou queimar a língua de muita gente."
QUENTE, Café.



Existe uma solução para as coisas da vida que te incomodam, aquelas que tiram sua paz e seu sono, perfurando sua mente com angústia. A solução? Mandalas!
É só mandalas à puta que pariu!

Abraçogros e até a próxima!

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A Professora Adriana!

Adriana era professora de uma sala de crianças um tanto quanto levadas. Uns pestinhas, aqueles diabretes! Para sorte de Adriana, uma ajudante ogra, chamada Dorotheya III, dava suporte em suas atividades laborais.

Um dia em meio ao caos infantil, a professora pediu ajuda à ajudante:

- Dorotheya, ajuda aquele menino canhoto ali!

Dorotheya em meio a tantos pestinhas, nota pelo menos 7 canhotos, e então pergunta para a professora:

- Adriana, qual canhoto???

Então Adriana desesperou-se, surtou em meio à sala, largou o magistério e foi virar cantora. Hoje é conhecida como Adriana Calcanhoto, homenageando a pergunta de Dorotheya, a ogra.


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Bastante Contundente!

Em minhas viagens investigativas pelo mundo dos humanos, completamente disfarçado e invisível a olho nu, cheguei a conclusão que há muita gente contundente.

São tão banguelas que abrem a boca e só conto um dente.


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

De Belo Horizonte


Dona Clara, da esplanada de sua casa que de tão grande mais parecia um castelo, olhava a rua e pensava em momentos de sua vida. Lembrava do tempo em que era apenas uma camponesa no interior, trabalhado no cafezal, passeando pela floresta , sujando os pés naquele barro preto que ficava logo ali, perto da cachoeirinha.

Lembrava da irmã dela, Betânia, e dos planos de mudar para a praia, para o Havaí, logo elas que mal conseguiam tomar banho com mangueiras. Hoje, tinha o sonho de viajar para o Rio de Janeiro, visitar Copacabana, Ipanema ou Leblon. Quando era nova Suiça era a viagem dos sonhos, queria muito ir para a Europa, ou até mesmo para os EUA, visitar Nova York, a capital do mundo!
Quando os pensamentos foram trocador por orações, rezou para Santa Mônica, Santa Lúcia, Santa Terezinha e impossível não lembrar de Santo Antônio, para quem rezava fervorosamente para casar com Caetano Furquim, irmão da Lourdes. Lembrava da época em que ele era só um universitário. O santo casamenteiro ouviu suas preces e rapidamente houve a união do coração dos dois pombinhos.

Casaram em uma Igreja onde havia uma linda castanheira e foram morar juntos naquela casa branca, que tinha uma boa vista, que ficava ainda mais linda embalada por um belo céu azul de verão.  Ela gostava de ir buscá-lo no serviço, onde o via junto com outros funcionários fazendo planos para todos ficarem milionários.  Lembrou-se do dia em que ele chegou com uma linda saia para ela e exclamou: É nova, vista!
Aqueles eram seus tempos de glória.
Enquanto divagava em seus pensamentos, nem percebeu a aproximação de seu marido, que antes estava na sala tomando um conhaque velho Barreiro. Ele a assustou ao chegar sorrateiro e gritar:
- Paquetá aí pensando na vida? Tome uma providência e venha dormir.

Junto ao velho vinha o filho do casal, e ela pegando um pratinho com coxinha ofereceu: Quer salgado, filho? O filho recusou, e contou que teve festa da empresa pra comemorar o dia do trabalhador, primeiro de maio, e foi embora com sua esposa Juliana. Ele falava para a mãe que sua esposa valia um diamante, mas que ele não tinha dinheiro nem para comprar um ouro preto.
Dona clara então resolveu que era tempo de parar com os pensamentos de tempos passados, ou ela chegaria até a época em que houve o grito do Ipiranga. Como ainda estava muito claro, ela pegou uma venda nova para tirar a claridade dos olhos e foi dormir, pensando em como o Cruzeiro do Sul iluminava aquela cidade que ela tanto amava, aquela era uma cidade nova, que tinha um belo horizonte.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Alice tem amigas? Parte II

                O ar deixou os pulmões de Margareth com um chiado. Um expiro de alívio. Em sua cama Alice parecia dormir com a docilidade dos anjos. Margareth teve a certeza de que o grito veio de algum canto escuro de sua imaginação, talvez influenciada pelas falas da filha.

                Margareth caminhou até ela, ajeitou as cobertas que já a cobriam só até os joelhos e deu-lhe um beijo leve no rosto. Alice se remexeu suavemente, se aninhando em seu travesseiro. Acabou por acordar.
- Oi, mamãe. Que houve?
- Nada minha filha. Só achei ter ouvido algum barulho no seu quarto. Vim ver se você está bem.
- Eu estou bem, mamãe.
                Margareth beijou de novo sua filha. Sentiu o sorriso dela e se levantou para apagar a luz e voltar à sua cama. “Amanhã eu e Jansen daremos boas risadas dessa história.” Apagou a luz e passando de volta pelo corredor escuro, ao entrar em seu quarto, ouvindo o som do sono de Jansen, ainda com um sorriso, a
voz da filha vem da cama até ela:
- Deve ter sido a Banshe. Ela quem gritou.
               Por um momento Margareth achou que sua mente a enganara de novo, mas não desta vez. Correu aos tropeços pelo corredor, entrou no quarto da filha e ligou a luz. A visão do quarto a chocou. Talvez antes ela não tenha reparado pelo pânico com o grito, ou talvez algo mudou desde que ela deixara o quarto, mas ela teve a certeza que os brinquedos de Alice não estavam da forma como foram arrumados antes dela dormir. A boneca com que ela dormia abraçada não estava na cama. O cavalinho onde ela montava para brincar estava virado para outro lado. Outros brinquedos estavam em lugares pouco familiares.
Margareth com a voz trêmula perguntou para a filha, que ainda deitada estava, como se tivesse falado a coisa normal do mundo:
- O que você disse, minha filha?
- Que foi a Banshe que gritou. Ela queria brincar com meus brinquedos e eu não deixei...ela ficou brava e até tirou minha boneca de mim. Eu já estava dormindo, mas acho que ouvi ela gritar, mas não liga pra ela não, mamãe. Ela é minha amiga e é boa pra mim.

               Perturbada, Margareth sentiu que nada daquilo fazia sentido, e a naturalidade com que a filha falava essas coisas. Sentindo desamparada, sentou-se na cama ao lado da filha. E chorou...

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Alice tem amigas? Parte I


- Alice é uma criança sensível, ainda não acostumou com a mudança. Ela vai melhorar, não precisamos ficar preocupados. Assim Margareth tranqüilizava seu marido, Jansen, sobre o novo comportamento da filha.
Desde que se mudaram para a nova casa, Alice contava que agora tinha um novo amiguinho. A princípio acharam que se tratava de algum vizinho, mas depois Alice, para o espanto dos pais, explicou que era um amigo, ou melhor, uma amiga, que só ela via.
- Mas mamãe, ela fala comigo! Como não vou responder? Dizia Alice quando sua mãe a repreendia por cochichar sozinha em seu quarto à noite.
- Qual criança nunca teve seu amigo imaginário? Assim Margareth encerrou a conversa noturna sobre Alice.
Jansen rapidamente pegou no sono, mas Margareth ainda pensava nas coisas que a filhinha andava falando. Uma amiga psicóloga, Anna, havia dito que isso era normal, e que a família não precisava ficar preocupada, que era só uma forma de Alice desenvolver seus pensamentos abstratos, etc...mas o medo do sobrenatural rondava o imaginário de Margareth. E se realmente a filha, de apenas 4 aninhos, estivesse vendo algo? Alice nem gostava de pensar nisso.
A noite avançou, o sono chegou, Morfeu levou para longe da mente de Margareth os pensamentos de preocupação. A noite, porém, não seria tão tranqüila. Um grito de terror rasga a noite e a desperta em pânico!

Apavorada levanta correndo e vai ao quarto de Alice! Aquele corredor nunca pareceu tão longo. Cada passo rumo à porta era doído, apertado...o coração retumbava no peito, batendo acelerado e fazendo não escutar seus próprios passos inseguros. Escorreu a mão direita pela parede, sentindo o suor brotar na sua frente e sua boca azeda com o sabor do próprio medo..

Quando seus dedos encontraram o interruptor, a escuridão acariciando tudo em que tocava, Margareth duvidou que esse silêncio podia ter sido maculado por um grito...então tomou coragem...pressionou o botão e fez a luz invadir o quarto de Alice. Quando seus olhos se adaptaram, quando suas pupilas se tornam amigas da claridade, então ela viu. E sua respiração, parou.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

E nasce um chá!

Eis que começamos 2013. E para começar o ano, instruiremos vocês sobre as famosas contribuições para o vocábulos que permeiam a comunicação falada e escrita no Brasil. Muitos desconhecem, mas a origem de vários termos é ogra. Esqueçam os índios, ignorem os árabes, 90% das palavras que colorem nosso cotidiano surgiram de bocas ogras, e hoje, traremos novo exemplo disso para vocês.

Havia um Ogro que após vários anos de vida na Grá-Bretanha, mais especificamente na Inglaterra, resolveu residir um tiquim no Brasil, e para cá migrou. Chegando no Brasil, sendo um ogro de muitas posses, comprou uma fazenda e contratou alguns funcionários, entre eles a sua favorita, Camila, logo alcunhada de Milla.

Rapidamente nosso ogro britânico, Ogrojack, se adaptou ao costumes do país latino-americano, porém, sentia muita falta de seu tradicional chá das cinco, e decidiu cultivar algo em sua fazenda.

Dotado de alta cultura botânica, rapidamente ele conseguiu desenvolver algo para fazer seu chá e pode voltar a se regalar com sua bebida estimada. Batizou-a com um rebuscado nome inglês, porém, os funcionários de suas terras deram à erva o nome pelo qual ela é conhecida até hoje...acompanhem:

Sempre que ia tomar seu cházinho das 17, Ogrojack buscava por companhia, e sua favorita sempre era Milla. Ele lá de sua salinha, aconchegado e com biscoitinhos, chamava ternamente: Come on, Milla! Come on, Milla!

E assim surgiu a camomila.Qualquer outra história sobre a origem dessa erva não possui a menor credibilidade. Em caso de dúvidas sobre a origem das coisas, chá com a gente!


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Esqueceram de mim?

Havia em uma terra muito distante, lá pelas meiucas da Ásia, onde uma comunidade ogra de respeito se estabeleceu. Viver naquelas terras selvagens e inóspitas não era uma tarefa fácil, então os ogros eram bem unidos e precavidos.

Porém, caros amiguitos, há uma coisa no Universo que é incontrolável. E não estou falando de buracos negros, nebulosas ou cometas, muito menos da histeria de uma mulher ao descobrir que o sapato que estava em liquidação não está mais! Estou falando, alertando, precavendo e prevenindo sobre as crianças ogras. Essas sim o cão chupando manga com ácido muriático e nitroglicerina.

E mesmo naquele ambiente restrito, mínimo e controlado, as criançogras, peraltas como só elas, davam um jeito de transformar a vida dos pais em um inferno dantesco. Os pais nunca sabiam por onde andavam seus arteiros rebentos.

As crianças saiam para brincar na casa dos coleguinhas, mas os pais, ludibriados pelos instrumentos pesticulosos dos pimpolhos, nunca sabiam onde estavam os herdeiros. Então o que mais se ouvia pelas ruas da comunidade ogra eram os pais gritando pelos filhos, como por exemplo o ogro Ogrovsky:

- Zezovsky, Hugovsky e Luisovsky! Qual casa que estão??

E assim o país surgente foi batizado de Cazaquistão.

Sem mais para o momento, beijo na bunda e até segunda.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cazaquist%C3%A3o



quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Pérolas de fim de semana.



Amigos e amigas do mundo ogro. Eis que amanhã já é sexta. O final de semana é iminente. Para encher o seu descanso das atividades de sabedoria, lançamos abaixo algumas pérolas da semana, que foram divulgadas por sábios ogros de reputação imaculadas.

I - Gente normal gosta de galinha, psico pata.

II - O queijo ímpar gosta de mesinha, o par mesão.

III - A coca vai patrocinar as olimpíadas, o garapan.

IV - Agora eu fiquei doce, igual um caramelo, comi um rocambole não sobrou nenhum farelo!

V - Agora eu fiquei doce, igual um caramelo, pisei numa balinha ela grudou no meu chinelo.

VI - Um pato com duas patas...é bígamo?

VII - Fiquei sabendo por uma amiga que a situação em Lisboa está tão complicada, por conta da crise, que a cidade vai passar a se chamar Lisruim.


E para fechar um serviço de utilidade pública:

Não se deve esperar que a invasão alienígena seja com naves espaciais. Eles virão disfarçados de fofoletes em caixas de fósforo recicladas em adamantium para conquistarem o mundo como um pum, ou seja, de dentro pra fora.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A Videira Assassina!

Eis que havia um ogro muito idoso, que se dedicava à plantação de uvas. As uvas cultivadas em suas famosas videiras eram usadas para os mais conhecidos vinhos de Ogroland, apreciados também fora das fronteiras ogras. Eram os vinhos Uva isergostosoassimlálonge.

Nosso herói desta história, Mandriogro, já personagem de outras verídicas histórias de Ogroland (http://www.ogroland.blogspot.com.br/2012/01/uma-historia-de-uvas.html;http://www.ogroland.blogspot.com.br/2011/04/os-irmaos-agricultores.html) já no fim de sua jornada pela vida, possuía essa famosa plantação de uvas, dos mais diversos tipos e cores, observado que em terras brasileiras se plantando tudo dá.

Um dia, verificando as suas plantações, supervisionando a lá Donald Trump a colheita das geradoras de sua fortuna, nosso herói agrônomo notou uma uva de coloração jamais vista em suas coleções frutíferas. Ele já tinha visto uvas de um verde clarinho, outras de um verde mais vivo que a bochecha do Hulk, outras daquelas meio roxinhas, mas jamais tinha visto um fruto da coloração preta, mais preta que uma nádega do Pelé.

Empolgado pela descoberta, e já vislumbrando a criação de uma nova raça de uvas mutantes das quais ele seria o seu Professor Xavier, Mandriogro berrou empolgado:

- Vejam, Eu vi uva negra!!! Vi uva negra!!

E antes que outrem pudessem impedir, Mandriogro, já com os olhos turvos pela catarata, tascou o mãozão na tal uva negra, que na verdade era uma aranha de alto veneno, que lascou uma nada amistosa mordida, por cortesia da casa, na mão de nosso ogro agricultor.

Assim ganhou seu nome vulgar no Brasil a aranha do gênero Latrodectus, Viúva Negra.
E você que achava que tinha algo relativo à mudança de estado civil, hein, hein???

sábado, 22 de setembro de 2012

A Morte.


Quem nunca escutou que a única certeza da vida é a morte que atire a primeira pedra. Não importa por qual caminho você siga na vida, no final o último passeio será sempre um de barco, conduzido por Caronte, e pago com uma moeda qualquer.

Se a certeza da morte é assim tão inquestionável, por qual motivo a chegada dela ainda nos choca tanto? Seria o medo que causa a falta de conhecimento sobre o que há do outro lado do rio? Seria o ato supremo do egoísmo humano, e do sentimento de posse, que não consegue simplesmente aceitar que alguém que você quer se vá? Não é uma chegada não esperada, não é uma forma indesejada, a morte surpreende e revolta em qualquer forma que resolva nos visitar.

Apesar de ser o destino natural de tudo que ganha vida, não há nada de natural na morte que não seja restrito à assuntos biológicos. Um dia a pessoa está com você, rindo, chorando, fazendo parte e marcando momentos de sua vida. No outro dia não está mais, e nunca mais estará. E essa certeza do nunca mais fere, e sempre que pode retorce a ferida. A cicatriz que nasce do corte pode não doer, mas vai sempre te lembrar da dor causada.

E há sentido na morte? Nenhum. Tudo que nasce, mais cedo ou mais tarde, morre. Esse é o único sentido. E se a morte não tem sentido, se ela não faz parte de um plano de intenção maior em que cada evento é uma peça que se encaixa em uma próxima em um quebra-cabeça que não enxergamos, ela serve apenas para nos machucar? Pode ser que sim, mas pode ser que não, tudo é diferente dependendo do ângulo e de quem o enxerga. 

Que não se gaste mais do que o tempo de luto com a morte, e que confrontado com ela, valorize ainda mais  vida que você ainda segura nas mãos, porque ela não para e nem espera o choro. A terra vai continuar girando em volta do sol e dela mesma, não importa a quantidade de lágrimas que a molhe. 

E não caia na tentação de querer também atribuir sentido à vida. Ela não tem sentido algum. E não a veja com um substantivo. Nem como uma entidade que tem vontade própria. A vida resulta de um verbo. Ela nada mais é do que a forma como você conjuga o verbo viver. Conjugue com gosto no presente, porque você jamais sabe até quando vai poder conjugá-lo no futuro.

E chega de pieguices. Este pequeno amontoado de palavras  é mais para celebrar a vida do que para surrar a morte, até porque vai que ela revida? Portanto, desligue o computador e vá abraçar quem você gosta e que ainda está ao seu lado. Aproveitem a vida, sacripantas! 






domingo, 15 de julho de 2012

Onda Zumbi

Filmes de zumbi estão tão na moda, que uma conhecida empresa promete lançar uma edição especial com lactobacilos mortos-vivos.


domingo, 8 de julho de 2012

Ogrolino socorre Lex Luthor!

Lex Luthor, aquele inimigo do Super-Homem, começou a se preocupar com o passar do tempo, com seus fracassos constantes contra seu rival, a velhice chegando, e começou a se dedicar a treinar um sucessor. Como era desprovido de linhagem direta, não possuindo filhos, Lex escolheu um sobrinho para a vil tarefa de dar sequencia em sua missão de findar com a vida do Kryptoniano.

A mudança de estratégia não teve o resultado esperado pela família Luthor, e o sobrinho de Lex continuou sendo surrado pedagógica e sistematicamente pelo nosso herói inoxidável. O sobrinho ficava dias deitado na cama, sofrendo as dores das pancadas aplicadas, e inconsolável chamava pelo tio.

A sorte é que Lex Luthor tinha boas relações com Ogrolino, um velho boticário de Ogroland. Ogrolino foi chamado para desenvolver um remédio para o pobre garoto, que se contorcia histérico em dores piores que as do parto, de uma bolada nos bagos, ou de bater um mindinho do pé numa quina de parede.

Ogrolino inventou então um poderoso analgésico em forma de comprimido, e ao apresenta-lo para o choroso sobrinho, Lex Luthor, curioso, perguntou ao nosso ogro:

- O que é isso, Ogrolino? Como chama?

E Ogrolino, que ainda não havia inventado um nome para o medicamento, ficou lembrando do sobrinho do Luthor chamando do quarto: "Tio Lex...tio Lex...ti lex...ti leeeeex!"...e em um estalo inventou o nome e respondeu ao vilão:

- É o remédio pra dor que ocê pediu! Chama Tio lex....tylex!

E assim nasceu o Tylex que até hoje alivia nossas dores! Ogrolino, o mito!!!!



sábado, 30 de junho de 2012

Ogros de Nova York

As nossas pesquisas históricas vão atravessando fronteiras continentais e buscando, em territórios cada vez mais distantes de Ogroland, origens desconhecidas. Desta vez fomos até a América do Norte para pesquisar se uma das cidades mais famosas do mundo, New York, cromossomos ogros em seu DNA. Nossa! Como somos ogros, digo, cromossomos ogros.

E como dizia o velho jargão televisivo, de gosto duvidoso, quem procura acha. Descobrimos uma emotiva história familiar que, por tradição, definiu o nome de um dos povoados de New York, New Yooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooork!

Sem mais delongas vamos aos fatos. Havia em Nova York um jovem ogro, muito honesto e trabalhador. Além dessas qualidades tão valiosas na iniciante sociedade de tal centro urbano, o ogrito ainda tinha um espírito sagaz e uma liderança nata. Esses fatores combinados com uma pequena ambição política tornavam o ogro capaz de se tornar elegível a qualquer cargo. Mas sabemos, amigos, amigas, inimigos, inimigas e também vocês que não fedem nem cheiram, que nem tudo é perfeito. E apesar do nosso ogro ter tudo para vencer na política, algo manchava de forma pitoresca a sua imagem: a mãe do ogro.

A genitora do mancebo era da pá virada. A mulher era uma bandida. Assaltos a mão armada, estelionatos, brigas e barracos faziam parte da sua rotina. Era tão dissimulada que todos diziam que ela era uma rata. E nosso herói, por consequência, filho da rata.

E quando finalmente o Ogro carismático foi buscar o seu caminho político, ficou estigmatizado com aquela frase de corredores: Esse candidato é o da mãe rata! E assim a carreira de nosso audaz naufragou em um mar de escândalos familiares, provocados pela sua mãe, a rata.

E quando ele decidiu mudar para uma região próxima, todo mundo falava: "Aquela área é a do cara da mãe rata."

E de tanto falarem mãe rata, o local foi batizado de Manhattan. Está explicado, entenderam?


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